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domingo, 24 de julho de 2011

BÉLA BARTÓK 1881 - 1945

Béla Bartók
O mais importante compositor húngaro do séc.20 e grande expoente da música moderna, Bartók foi também um mestre do folclore musical e professor reputado. Sua música ganhou vigor de temas, modos e padrões rítmicos das tradições da música folclórica húngara e outras, que ele sintetizou com influências de contemporâneos em seu estilo próprio e peculiar.
Nasceu em 25 de março de 1881 em Sînnicolau Mar, cidade da Hungria pertencente ao Império austrohúngaro. Teve sua infância abalada em 1888 pela morte do pai; tinha 8 anos de idade. O jovem Bartók compunha entusiasticamente, mas sofria de várias doenças infantis.
Em 1899, aos dezoito anos, Bartók mudou-se para Budapeste a fim de estudar na Real Academia de Música, onde se notabilizou como pianista de técnica agressiva e expressão refinada. Em suas primeiras composições, seguiu os passos de Liszt, Brahms e Strauss, de quem transcreveu Ein Heldenleben para piano. Mas suas prioridades musicais mudaram com a leitura das narrativas de Maksim Górki, nas quais os camponeses, de há muito desprezados ou idealizados pela literatura, se tornam gente de carne e osso.
Em 1907 Bartók foi nomeado professor de piano da Academia Real de Música, em Budapeste, e em 1911 ele e Kodály, compositou que o conheceu em 1904 e que também tinha o mesmo interesse pela música folclórica, fundaram a Nova Sociedade de Música Húngara.
Em 1905 foi a Paris para o Concurso Internacional Rubisntein de Composição e Piano. Ali descobriu Debussy e sua escrita modal e, pôr isso, voltando à Hungria, compreendeu o interesse das canções populares. Dedicou-se, desde então, com a parceria do amigo, o compositor húngaro Zoltan Kodaly, estudos científicos sobre as canções folclóricas. Para colecionar estas canções fez numerosas viagens pêlos campos, munido de aparelhos registradores, cilindros e muito papel de música. Com estas pesquisas conseguiu dissipar o engano de Liszt, que havia confundido o folclore musical húngaro com o dos ciganos da Hungria.
Um ano depois publicou com Kodaly uma primeira coletânea de cantos populares húngaros, num total de 20, pôr eles harmonizados. Bartók estenderia, então, o campo de suas pesquisas à música romena, búlgara e oriental; ao Egito à Turquia, onde esteve em 1932 e 1936, depois de tomar contato com a música árabe em Biskra, em 1913. O resultado, para a arte do próprio Bartók, foi um estilo baseado em particularidades musicais, alheias à música da Europa Ocidental, mas altamente pessoal; e que incluiu, depois, cada vez mais elementos da grande tradição européia, sobretudo Bach.
Foi nomeado professor de piano da Academia de Budapeste em 1907. Quatro anos mais tarde, a Comissão de Belas Artes de Budapeste recusava-se a apresentar sua ópera O Castelo do Barba Azul para a obtenção do prêmio de Melhor Peça Lírica. Mas em 1918 esta ópera era levada à Ópera Nacional de Budapeste, onde obteve grande sucesso.
Foi necessário esperar-se o fim da Primeira Guerra para que começasse e editar e executar sua música em outros países. Em 1924 publicou uma coleção de cantos populares romenos e húngaros. Em 1926 produziu diversas peças para piano e o balé O Mandarim Miraculoso. No ano seguinte partiu para sua primeira série de concertos na América e depois na Rússia.
Autenticamente democrata e horrorizado com o nazismo, recusa-se a permanecer em seu país quando o fascismo se instala no poder. Decide-se, em 1940, estabelecer-se nos Estados Unidos. Fez viagens de concerto, acompanhado de sua mulher, também pianista, apresentando a sua famosa Sonata para dois pianos e percussão.
Foi nomeado Doutor em Música pela Universidade de Columbia. Em 1943, a Fundação Koussevitzky encomendou-lhe o Concerto para Orquestra. Nesta época escreve a Sonata para violino solo (1944) e o Concerto N.5 (1945).
Em 1939 Benny Goodman, famoso clarinetista de jazz, encomendou-lhe uma composição para clarinete. Quando viu a pauta Benny ficou aterrorizado: "Vou precisar de três mãos para tocar isso, senhor Bartók. É a coisa mais difícil que jamais vi." Bartok riu-se: "Não se preocupe com isso. Toque aproximadamente o que escrevi." Mas o telentoso Benny Goodman fez mais que isso; Contrastes foi gravado pela Columbia, com Joseph Szigeti no violino, Bartók ao piano e Benny Googman no clarinete.
O reconhecimento do valor e da significação de sua obra não o alcança sequer nessa última arrancada final em que, precário de saúde e bens materiais, não deixou de trabalhar no hospital. Bartók compôs até o final de sua vida. Morreu em Nova York, em 26 de setembro de 1945, em uma miséria tão grande que não deixou sequer dinheiro suficiente para o pagamento de seu enterro.
Levaria ainda algum tempo para que o mundo pudesse ver em Bartók, na qualidade de uma invenção e inovação musical, poderosamente mergulhada nas raízes de sua terra, na indiferença a todos os modismos, nas novas sonoridades de sua orquestração, assim como no rigor intelectual, um dos maiores gênios musicais da primeira metade do século.

Fontes Bibliográficas:
BURROWS, John. Guia Ilustrado Zahar – Música Clássica. In: A Música Moderna 1900 - .Rio de Janeiro: J.Z.E, 2006. P.395-397.
ROSS, Alex. O Resto é Ruído – Escutando o Século XX. In: Em Busca do Real: JANÁCEK, BARTÓK, RAVEL. São Paulo: Compania das Letras, 2009. Cap 3. Dança da Terra – A Sagração, folclore, Le Jazz. p. 96-100.
Renata Cortez Sica. Disponível em: <http://www.renatacortezsica.com.br/compositores/bartok.htm>. Acesso em 24 de julho 2011

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